segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pacífico? e pacífico...






Quietude no oceano

(Das Gedichte - Erst Band)

Um silêncio desceu, profundo, sobre as águas,
E sem arfar sequer repousa o velho mar;
Entanto o pescador, a ruminar as mágoas,
Volve lasso, em redor, os olhos devagar.
Não há nenhum rumor por mais subtil e brando,
Não há no mar ou no ar vagas nem viração...
— Só existe o silêncio imenso amotalhando
A impassível aquosa e límpida amplidão.
Goethe

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tocando em frente





"Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir..."

quinta-feira, 29 de julho de 2010





"Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar
Quero te dizer que a felicidade vai
Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama, ninguém se esconde
A felicidade vai
Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens, vai
Desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina ela fecha a roda
Menina não tem saída
De cima, de banda ou de lado
Menina olhe pra frente
Oh! Menina, tome cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção
De manhã..."

Tom Zé.

Poesia da época que há de vir. Esperança Nele.

segunda-feira, 10 de maio de 2010




A Criança Que Ri na Rua

A CRIANÇA que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo -
Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo

Fernando Pessoa

segunda-feira, 8 de março de 2010

Lindo poema para a mulher!






"Metade Sagrada"
(João Alexandre)

Você me conhece de cor,
Faz parte de um mundo tão meu,
E, às vezes, parece mentira,
Me entende melhor do que eu...
Você mais ninguém, é capaz,
De abrir todo meu coração,
Pras coisas mais lindas do mundo,
A flor, a poesia, a paixão!
Em suas mãos o meu destino,
A seus pés os meus desejos,
No seu colo, meu descanso,
Nos seus olhos, meus lampejos!
Por você serão meus versos,
Minha doce companhia!
Sem você, tudo é saudade!
Minha musa, estrela guia!
Minha mulher, minha amada,
Minha metade sagrada,
Meu dom de Deus, namorada,
Tesouro que o Pai do Céu me doou!
Por ter-se a mim repartido,
Por tanto sonho vivido,
Por tanto bem transmitido,
Você é parte de tudo aquilo que sou!

domingo, 7 de março de 2010





Pensamento
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes / Arnaldo Brandão

Pensamento que vem de fora
e pensa que vem de dentro,
pensamento que expectora
o que no meu peito penso.
Pensamento a mil por hora,
tormento a todo momento.
Por que é que eu penso agora
sem o meu consentimento?
Se tudo que comemora
tem o seu impedimento,
se tudo aquilo que chora
cresce com o seu fermento;
pensamento, dê o fora,
saia do meu pensamento.
Pensamento, vá embora,
desapareça no vento.
E não jogarei sementes
em cima do seu cimento.

...

sábado, 6 de fevereiro de 2010


"Quando o Cristianismo afirma que Deus ama o ser humano, está querendo dizer que Deus ama o homem: não que Ele tenha alguma preocupação "desinteressada"— por ser indiferente — com respeito ao nosso bem-estar; mas que, de maneira assustadora e surpreendente, somos os objetos de seu amor. Você pediu um Deus amoroso: agora tem um. O grande ser que você invocou com alegria, o "senhor de temível aspecto", está presente: não uma benevolência senil que preguiçosamente deseja que você seja feliz à sua maneira; não a fria filantropia de um juiz escrupuloso; tampouco os cuidados de um anfitrião que se sente responsável pela comodidade de seus convidados, mas Ele próprio o fogo a consumir-se, o Amor que criou os mundos; pertinaz como o amor do artista por sua obra e despótico como o amor de um homem por seu cão; providente e venerável como o amor de um pai por seu filho; ciumento e exigente como o amor entre os amantes. Como isso realmente se passa, ignoro. Está além da razão explicar isso por que alguma criatura, para não dizer criaturas como nós, deveria ter um valor tão prodigioso aos olhos de seu Criador. É decerto um fardo de glória não só além de nossos méritos, mas também, exceto raros momentos de graça, além de nossos desejos."

C.S LEWIS

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Cântico de Maria




Tú ja foste indefesa criança
Não consigo entender
Como pude tormar-te em meu braços e envolver o Teu ser?
Quantas vezes ouvi o Teu choro,a pedir pão e leite,consolo
Caricias pra tudo de alguem e até pra dormires tambem
Um balanço e a minha voz para Te ninar

Teu primeiros passinhos e quedas
Com orgulho segui
Ensaiaste as primeiras palavras
Que entender,eu finge
Brincadeiras sem mal de menino
Quantas vezes me deixaram rindo
Em altura e graça cresceu
Tão bonito e viril se tornou
Tudo tão depressa que eu não percebi

Coro:
Mas ao olhar o presente eu vejo as multidões te seguindo
Buscando paz,esperança e consolo
Que exitem tuas palavras
O Teu poder cessa fúria do mar
E enfermidades se vão
Quando ordenas se vão

Hoje eu entendendo as palavras do anjo
Quando Ele me disse o teu nome
Tu és a tão esperada promessa
O Deus do céu entre nós
És do Teu povo o libertador
Tú és o meu Salvador
E o cordeiro de Deus

E pensar que algum dia embaleite em meus braços

Jesus!!!

Cântico de Maria - Stênio Marcius
Interpretação: João Alexandre

Viva o verdadeiro NATAL!
Que Cristo brilha e renasça em nós a cada dia!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Posso Voltar?




Posso voltar?

(Sthenio Coutinho - Ruah Jah)

Um pródigo filho andarilho num terreno inóspito...
O prólogo segue
A propósito eu sei...que amargurei a insensatez de te deixar

Tenho sede... quero sal!
Prefiro, profiro e me firo com o mal-me-quero-bem-não-quero
Cruz credo o ex-credo da cruz ex-crivo escrevo alforria do escravo
Lentilhas amargas, partilhas sem mágoas...

Pus mordaças no meu melhor amigo, me escondi em folhas de figo...
Minha fuga...
Meu exílio...
Prazer frívolo...

É bem difícil em meio aos edifícios...
Me livrar do versículo, me lembrar do vício...
Perceber meus amuletos, se tornarem obsoletos...
Meu delírio...
Meu arbítrio...
Meu suplício...
Meu alívio...
Precipício ou céu?

O céu de amar - elinhas...
O fel de amar - elinhas...

Elas, elos, evas, egos, ervas, éros...

Seu trabalho...meu prazer...
Meu contrato...seu dever...
Sua paga...meu remorso...

No copo de agu'ardente procurei douçura,
No leito amarrotado da prostituta,
A fome me embrulha as entranhas,
Estranhas íntimas...
Lembranças ínfimas...

O eco do canto do galo e Eu.
O eco do canto do galo e Eu.

Desfibrila meu hábito, meu ócio, meus versos com mau hálito, meu óbito.
Ocilo...
Ocilo...
Firme como um prego na areia...
Meu andar cambaleia...
Sem eira nem beira a vergonha faz pirraça esperneia...

Posso voltar?
Abba posso voltar?

Amargurei a insensatez de te deixar.

Amargurei a insensatez de te deixar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Fale de Amor



No espelho dágua de seus olhos
Abra os portais de seu abraço
Se for possível, use palavras

Proclame a vida
Em seu singelo esplendor
Cantando ao vento
A música do seu amor

Fale de amor
Trocando os sons pelo silêncio
Tornando voz em gesto e atos
Se for preciso, use palavras

O sol, a lua e as estrelas,
Mulheres, homens e animais
Irmanados na riqueza
Suprema que é viver em paz

Proclamem a vida
Em seu singelo esplendor
Cantando ao vento
A música do seu amor

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A arte de ser feliz




"Houve um tempo em que minha janela se abria

sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,

e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual,

para que o jardim não morresse.

E eu olhava para as plantas,

para o homem,

para as gotas de água que caíam de seus dedos magros

e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.

Outras vezes encontro nuvens espessas.

Avisto crianças que vão para a escola.

Pardais que pulam pelo muro.

Gatos que abrem e fecham os olhos,

sonhando com pardais.

Borboletas brancas,

duas a duas,

como refletidas no espelho do ar.

Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Ás vezes, um galo canta.

Às vezes, um avião passa.

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante de cada janela,

uns dizem que essas coisas não existem,

outros que só existem diante das minhas janelas,

e outros, finalmente,

que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."


Cecília Meireles

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

ESTATUTOS PARA A VIDA:




Artigo 1


Fica decretado que agora não há mais nenhuma condenação para quem está em Jesus, pois, o Espírito da Vida em Cristo, livra o homem de toda culpa para sempre.


Artigo 2


Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive os Sábados e Domingos, carregam consigo o amanhecer do Dia Chamado Hoje, por isso qualquer homem terá sempre mais valor que as obrigações de qualquer religião.


Artigo 3


Fica decretado que a partir deste momento haverá videiras, e que seus vinhos podem ser bebidos; olivais, e que com seus azeites todos podem ser ungidos; mangueiras e mangas de todos os tipos, e que com elas todo homem pode se lambuzar.


Parágrafo do Momento:


Todas as flores serão de esperança; pois que todas as cores, inclusive o preto, serão cores de esperança ante o olhar de quem souber apreciar. Nenhuma cor simbolizará mais o bem ou o mal, mas apenas seu próprio tom, pois, o que daí passar estará sempre no olhar de quem vê.


Artigo 4


Fica decretado que o homem não julgará mais o homem, e que cada um respeitará seu próximo como o Rio Negro respeita suas diferenças com o Solimões, visto que com ele se encontra para correrem juntos o mesmo curso até o encontro com o Mar.


Parágrafo que nada pára:


O homem dará liberdade ao homem assim como a águia dá liberdade para seu filhote voar.


Artigo 5


Fica decretado que os homens estão livres e que nunca mais nenhum homem será diferente de outro homem por causa de qualquer Causa. Todas as mordaças serão transformadas em ataduras para que sejam curadas as feridas provocadas pela tirania do silencio. A alegria do homem será o prazer de ser quem é para Aquele que o fez, e para todo aquele que encontre em seu caminhar.


Artigo 6


Fica ordenado, por mais tempo que o tempo possa medir, que todos os povos da Terra serão um só povo, e que todos trarão as oferendas da Gratidão para a Praça da Nova Jerusalém.


Artigo 7


Pelas virtudes da Cruz fica estabelecido que mesmo o mais injusto dos homens que se arrependa de seus maus caminhos, terá acesso à Arvore da Vida, por suas folhas será curado, e dela se alimentará por toda a eternidade.


Artigo 8


Está decretado que pela força da Ressurreição nunca mais nenhum homem apresentará a Deus a culpa de outro homem, rogando com ódio as bênçãos da maldição. Pois todo escrito de dívidas que havia contra o homem foi rasgado, e assustados para sempre ficaram os acusadores da maldade.


Parágrafo único:


Cada um aprenderá a cuidar em paz de seu próprio coração.


Artigo 9


Fica permanentemente esclarecido, com a Luz do Sol da Justiça, que somente Deus sabe o que se passa na alma de um homem. Portanto, cada consciência saiba de si mesma diante de Deus, pois para sempre todas as coisas são lícitas, e a sabedoria será sempre saber o que convém.


Artigo 10


Fica avisado ao mundo que os únicos trajes que vestem bem o homem diante de Deus não são feitos com pano, mas com Sangue; e que os que se vestem com as Roupas do Sangue estão cobertos mesmo quando andam nus.


Parágrafo certo:


A única nudez que será castigada será a da presunção daquele que se pensa por si mesmo vestido.


Artigo 11


Fica para sempre discernido como verdade que nada é belo sem amor, e que o olhar de quem não ama jamais enxergará qualquer beleza em nenhum lugar, nem mesmo no Paraíso ou no fundo do Mar.


Artigo 12


Está permanentemente decretado o convívio entre todos os seres, por isso, nada é feio, nem mesmo fazer amizades com gorilas ou chamar de minha amiga a sucuri dos igapós. Até a "comigo ninguém pode" está liberta para ser somente a bela planta que é.
Parágrafo da vida:
Uma única coisa está para sempre proibida: tentar ser quem não se é.


Artigo 13


Fica ordenado que nunca mais se oferecerá nenhuma Graça em troca de nada, e que o dinheiro perderá qualquer importância nos cultos do homem. Os gasofilácios se transformarão em baús de boas recordações; e todo dinheiro em circulação será passado com tanta leveza e bondade que a mão esquerda não ficará sabendo o que a direita fez com ele.


Artigo 14


Fica estabelecido que todo aquele que mentir em nome de Deus vomitará suas próprias mentiras, e delas se alimentará como o camelo, até que decida apenas glorificar a Deus com a verdade do coração.


Artigo 15


Nunca mais ninguém usará a frase "Deus pensa", pois, de uma vez e para sempre, está estabelecido que o homem não sabe o que Deus pensa.


Artigo 16


Estabelecido está que a Palavra de Deus não pode ser nem comprada e nem vendida, pois cada um aprenderá que a Palavra é livre como o Vento e poderosa como o Mar.


Artigo 17


Permite-se para sempre que onde quer que dois ou três invoquem o Nome em harmonia, nesse lugar nasça uma Catedral, mesmo que esteja coberta pelas folhas de um bananal.


Artigo 18


Fica proibido o uso do Nome de Jesus por qualquer homem que o faça para exercer poder sobre seu próximo; e que melhor que a insinceridade é o silencio. Daqui para frente nenhum homem dirá "o Senhor me falou para dizer isto a ti", pois, Deus mesmo falará à consciência de cada um. Todos os homens e mulheres que crêem serão iguais, e ninguém jamais demandará do próximo submissão, mas apenas reconhecerá o seu direito de livremente ser e amar.


Artigo 19


Fica permitido o delírio dos profetas e todas as utopias estão agora instituídas como a mais pura realidade.


Artigo 20


Amém!


Caio Fábio D'Araújo Filho - http://www.caiofabio.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Temporal






Um vento forte sopra lá fora,
as cortinas coloridas de flores da janela
bailam numa dança frenética
ao som da sinfonia cantada pelas folhas das árvores em movimento,



O movimento que se move nas folhas,
se mistura com o som do temporal,
Gotas espessas sobre um céu cor de chumbo,
a terra molhada exala seu aroma,
o doce aroma das flores do jardim perfumam o ar,
e são sacudidas com violência pelo vento impestuoso.


A fragilidade delas é revelada,
algumas tem suas pétalas arrancadas
e espalhadas pelo vento.


Uma pétala repousa sobre um livro
o livro está em cima de uma mesa
a mesa está vestida em uma toalha branquíssima...
A pétala se destaca na pureza da cor da toalha.


Algo se movimenta no interior da casa,
Ouve-se som de passos leves, e saltitantes,
corre-se para janela e fecham-se os vidros,
As cortinas florais cessam a dança frenética,
o silêncio instala-se.


Um olhar observa através do vidro límpido
as espessas gotas que caem sobre a terra seca.
Um ímpeto lhe invade o coração
abre os vidros da janela com toda a força
E num salto pula e corre pelo jardim
acompanhando o som das folhas das árvores,
o som do temporal,
e como quem tem asas
dança num infindável momento

Único

Vivo

Verdadeiro.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Arte de Viver



"Por isso, acho que os artistas devem se unir para fazer manifestações artísticas pelo partido da arte, da arte de viver."

Byafra, no

Bate-Papo com o Cantor e Poeta BYAFRA
na comunidade Café Filosófico "Das Quatro"

quinta-feira, 4 de junho de 2009


"O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo.

Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

(...)Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

(...)O essencial é saber ver,

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê,

E nem pensar quando se vê

Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),

Isso exige um estudo profundo,

Uma aprendizagem de desaprender(...)"
trecho de "O Guardador de Rebanhos", escrito pelo heterônimo Alberto Caeiro por volta de 1914.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Leilão de Jardim




Quem me compra um jardim com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)

- Cecília Meireles -

Porque esse poema alegrou minha tarde de hoje, e ele define bem como eu me sinto hoje, uma pequena jardineira, retirando as pedras e plantando flores!
PS: Na imagem, Jardim de Monet em Giverny, pintado pelo artista.
Bjo a todos que passam por aqui...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A vida





Sistemas lógicos nos entediam. Rejeitamos moralismos. Bocejamos com pieguices. Suspeitamos das ideologias. Tememos demagogias. Rechaçamos totalitarismos. Fugimos das intolerâncias.

Chamamos o pão que nos alimenta de dignidade. A água só nos hidrata quando borbulha com afeto. Não queremos tratados, basta-nos um ombro. Pagamos exorbitâncias para que alguém nos ouça com um rosto amoroso.

Corremos qualquer distância para assistir ao poeta em êxtase. Amamos palcos, telas, picadeiros. Enriquecemos o artista. Rebelados contra os grilhões da imanência, ambicionamos por transcendência. Magia, fantasia, ficção, tudo nos encanta. Dêem-nos parábolas e compreenderemos o Reino Eterno. Fábulas nos municiam de critérios éticos para a próxima escolha. Tramas e enredos de novelas, romances e contos, ensinam o amor, a vingança, o ciúme, a bondade.

Para nos manter, dependemos de abraços, sussurros, pele, suor, olhares. Não esperamos explicações sobre o Divino, preferimos degustá-lo. Entre a possibilidade de entender o Grande Mistério e ser mergulhados em sua presença, mil vezes optamos por um batismo de amor. Concebidos na paixão, aspiramos sentimentos. Alimentados por seios, crescemos atraídos pelo belo.

Cores nos inebriam, brilhos nos entusiasmam, trevas nos adormecem. Equações matemáticas explicam a métrica da melodia. Compassos organizam anarquias. Canções nos embevecem. Organizamos orquestras para perpetuar o magnífico. Executamos o jazz para enaltecer o improviso. Criamos, imitamos o Criador.

Não só existimos, vivemos!


Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ritmo



Incrível esse vídeo e a forma com que ele fala de Deus.
Pra se comunicar , entender Deus?
É como música...temos que estar sintonizados
e afinados na música que Abba está tocando, é uma linda sinfonia.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Impressionante!



No último sábado, Susan Boyle, uma desempregada de 47 anos que vive na Inglaterra, foi tentar realizar o sonho de ser cantora no show de TV "Britain´s Got Talent" - a versão inglesa dos programas "American Idol" e "Ídolos".

Antes de se apresentar, a 
mulher - que foge aos padrões de beleza e mocidade vistos no show - enfrentou zombarias do público e do júri - entre eles, o apresentador Simon Cowell, o jurado mais mordaz do "American Idol".

A candidata escolheu a música "I dream a dream", do musical "Os Miseráveis" e deixou a platéia boquiaberta com a sua 
bela voz.

Sua apresentação, divulgada na internet, já foi vista por mais de 3,5 milhões de pessoas pelo mundo. Confira no vídeo abaixo.



terça-feira, 14 de abril de 2009

Amy Carmichael: um exemplo missionário





"Amy Carmichael levou um grupo de crianças a um ourives tradicional na Índia. No meio de um fogo alimentado a carvão havia uma cerâmica côncava. Na cerâmica havia uma mistura de sal, tamarindo e pó de tijolo. Dentro dessa mistura havia ouro. Conforme o fogo devorava a mistura, o ouro se tornava mais puro. O ourives tirava o ouro com uma pinça e, se não estivesse suficientemente puro, ele o repunha no fogo com uma nova mistura. Mas cada vez que o ouro era recolocado, o calor era aumentado. O grupo perguntou: "Como você sabe quando o ouro está puro?" Ele respondeu: "Quando posso ver meu rosto nele".

"Amy Carmichael nasceu numa pequena vila na Irlanda do Norte. Era a mais velha dos sete filhos de David e Catherine Carmichael, um casal de presbiterianos devotos. Era uma candidata improvável para o trabalho missionário, pois sofria de neuralgia, uma doença dos nervos que lhe tornava o corpo fraco, dorido e que a deixava de cama semanas a fio.Foi na convenção de Keswick em 1887 que ouviu Hudson Taylor[1] falar acerca da vida missionária. Pouco depois convenceu-se do seu chamado.Segundo um relato biográfico dos seus primeiros anos de vida, Amy desejava ter olhos azuis em vez de castanhos. Ela pedia a Deus que lhe mudasse a cor dos olhos e ficava desapontada por isso nunca acontecer. Contudo, já adulta, Amy compreendeu que, como os indianos têm os olhos castanhos, ela iria ser aceite mais facilmente do que se tivesse olhos azuis e aceitou isto como um sinal de Deus.Inicialmente Amy viajou para o Japão durante 15 meses, mas mais tarde, descobriu que a vocação da sua vida estava na Índia. Ela foi comissionada pela “Missão Zenana da Igreja de Inglaterra[2]". Muito do seu trabalho foi com moças jovens, algumas das quais foram salvas da prostituição forçada. A organização por ela fundada era conhecida por “Dohnavur Fellowship[3]”. Dohnavur fica situada em Tamil Nadu, a sul da Índia. A “Fellowship” iria tornar-se um santuário para mais de mil crianças que de outra forma teriam de enfrentar um futuro incerto.Num esforço para respeitar aquela cultura asiática, membros da organização usavam trajes indianos e as crianças foram-lhes dados nomes nativos. Ela própria vestia-se dessa forma, pintava a pele com café e frequentemente viajava longas distâncias nas quentes e poeirentas estradas Índia só para salvar uma criança.O trabalho de Amy Carmichael também se estendeu à imprensa. Ela foi uma escritora prolífera com 35 livros publicados. O mais conhecido é talvez um dos primeiros relatos históricos sobre a missão na Índia publicado em 1903.Em 1931, Amy ficou gravemente ferida numa queda que a deixou de cama até morrer.Amy Carmichael morreu na Índia em 1951 com 83 anos de idade. Ela pediu para não porém nenhuma pedra tumular na sua campa; em vez disso as crianças que ela tanto amava puseram algo com a inscrição “Amma”, que significa mãe em Tamil, um dialecto indiano.Enquanto servia na Índia Amy recebeu uma carta de uma jovem que queria ser missionária e que perguntava como era exercer essa função. Amy respondeu: “A vida missionária é simplesmente uma forma de morrer”."

“Podes dar sem amar, mas não podes amar sem dar.”

Amy Carmichael